sábado, 13 de agosto de 2011

Juros - de inimigos a aliados!

Outro dia precisava fazer uns pagamentos e quando entrei na cabine do caixa eleltrônico verifiquei que havia um comprovante deixado em cima da máquina. Nestes casos normalmente amasso ou rasgo e jogo fora sem olhar, mas na ocasião me bateu uma rápida curiosidade de ver do que se tratava. Constatei, então, um absurdo, aguém que naturalmente não direi aqui quem foi, fez um saque de 20 reais no seu cartão de crédito, tendo que pagar uma taxa de 15 reais pelo serviço, fora os juros que seriam cobrados na operação que eram superiores a 10%. Em outras palvras, a pessoa pegou emprestado 20 reais para pagar algo em torno de 38 reais ao cartão de crédito. Para qualquer ser humano um total absurdo, naturalmente não levo em conta aqui a necessidade dos 20 "mangos" que certamente naquele momento era a maior possível (assim quero acreditar).

Uma pessoa que faz um tipo de empréstimo assim certamente não tem uma boa idéia de como contralar as finanças e o pior, está pagando juros exorbitantes para arranjar dinheiro. Sairia mais barato pedir emprestado a um amigo pagar até mesmo 10% de juros (que são atronômicos) em 30 dias ou pedir um empréstimo num banco, enfim, não se pega emprestado 20 para pagar 38... nunca... jamais... deve-se sempre buscar alternativas mais baratas.

Pois bem, essa é nossa pequena lição de hoje. Os juros estão por aí... livres, leves (ou pesados também) e soltos (ou amarrados aos contratos)... fazendo alguns muito felizes com eles e outros profundamente infelizes. A regra para se criar uma filosofia de investimento correta é: colocar os juros para trabalharem ao seu favor. 
Lembro de pessoas que eu ouvia quando era pequeno dizendo que caso ganhassem na loto iriam viver de renda! Ótimo, alguém poder viver de renda não parece uma má idéia, afinal, você trabalharia mais por uma necessidade humana ou de realização pessoal, do que propriamente por necessidade de sobrevivência. No dia em que achasse que seu chefe tinha agido de forma exagerada ou incorreta, poderia simplesmente dizê-lo que não aprovava aquela atitude e que se não tivesse um pedido de desculpas iria embora... ou ainda, você poderia ser dono de sua própria empresa. Tudo isso parece muito bom, mas para se chegar lá é preciso juntar dinheiro e saber aplicá-lo em operações financeiras rentáveis, que paguem bons juros e garantam o crescimento saudável dos seus investimentos.

Ouço por aí gente dizer que a poupança é um péssimo investimento... penso que, na verdade, o pior investimento é pedir empréstimo para saldar dívidas (a não ser quando de fato seja justificável), não importa se você só investe em poupança. O fato importante é controlar o endividamento, se possível evitando-o e aprender mais sobre investimentos na medida em que seu dinheiro for crescendo. Afinal, com mais dinheiro na mão você deverá fazer escolhas mais cautelosas a fim de garantir que ele cresça cada vez mais rápido e, claro, de forma responsável e correta (dentro da lei). 

Portanto, os juros não são necessarimente bons e nem maus, depende apenas de que lado do jogo do dinheiro eles estão, se estiverem do lado do investidor podem ser seus grandes aliados, mas quando do lado do devedor parecem ser seus maiores inimigos.

Procure fazer com que seu dinheiro trabalhe a seu favor e não contra você. Lembre-se que seu dinheiro deve ser uma fonte de alegria e não de sofrimento ou preocupação. Por isso, determine em sua vida financeira que os juros trabalhem para você.

Pense nisso!

domingo, 7 de agosto de 2011

O QUE É CDB (Certificado de Depósito Bancário)? - Aplicação em CDB

Vejamos mais uma forma de aplicar nosso dindin e fazê-lo crescer.

Bem, primeiramente, definamos o que seja CDB. A sigla significa Certificado de Depósito Bancário e trata-se de um título que é "comprado" pelos correntistas a seu banco. Em outra palavras, você empresta dinheiro ao banco que precisa dele e, em troca, o banco lhe devolve o dinheiro após alguns meses ou anos com o rendimento (juros).

Os CDBs podem ser pré ou pós-fixados, portanto, no momento da aplicação quando conversando com o seu banco deverá ficar claro o quanto será pago pela aplicação de seu dinheiro. A diferença básica entre pré e pós-fixados será que no primeiro geralmente as aplicações são de curto prazo (no máximo 1 ano) e você já sabe, no momento da aplicação, o quanto irá receber de lucro quando do resgate. O pós-fixado geralmente tem sua rentabilidade atrelada ao CDI (certificado de depósito interbancário), que explicarei em um post futuro. Daí se dizer que um determinado CDB paga 85%, 95%, 100%... do CDI. Traduzindo, quanto maior for a percentagem do CDI, maior será a rentabilidade da sua aplicação. Geralmente o período de aplicação varia de 3 meses a 5 anos, sendo que se o resgate da aplicação ocorrer antes do término, você terá que pagar uma quantidade maior de imposto de renda (IR) se o mesmo ocorrer antes de 721 dias, ou seja, 2 anos de aplicação. 

Aí que está o segredo, se você resgatar o dinheiro antes do término do CDB pagará mais imposto de renda, que, dependendo do caso, poderá rebaixar a rentabilidade da aplicação. O correto seria aplicar e evitar fazer resgates (saques) durante a vigência do CDB, pois pagando menos IR, seu lucro será maior.

O CDB atualmente é considerado uma alternativa à poupança (tão conhecida dos brasileiros) para aplicar a sua Reserva de Emergência. Com a taxa SELIC (taxa básica de remuneração de investimentos regulada pelo governo federal) a 2,25% ao ano, a poupança (preferida até 2019 pela maioria dos investidores brasileiros) passa a remunerar juros anuais de apenas 1,575%. Ou seja, se você deixar aplicado 1.000,00 reais por 12 meses, terá no final, 1.015,75 reais. É muito pouco comparado com as épocas em que a poupança remunerava mais de 10% ao ano!


Nesse contexto, o CDB a 100% do CDI renderá algo entre 1,66 a 1,88% ao ano (já descontado o IR) a depender de quando ocorrer o resgate. Se até 180 dias da aplicação, 22,5%, se após 720 dias, 15% de IR sobre a remuneração. Rendendo um pouco mais que a poupança e sendo muito seguro (principalmente se de bancos grandes), quando tem liquidez diária, é uma modalidade recomendada para proteger a sua Reserva de Emergência.

Eu diria que as grandes vantagens dos CDBs, principalmente os pós-fixados (que são a maioria dos que são ofertados pelos bancos), são as seguintes:

  • rentabilidade diária (você recebe o juros atrelado ao CDI diariamente), assim pode ver o seu rico dinheirinho crescer dia após dia;
  • garantido pelo fundo garantidor de crédito (FGC), do mesmo jeito que a poupança (veja o post sobre poupança);
  • aplicação de baixíssimo risco, principalmente se você aplicar em bancos de primeira linha (do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander...);
  • assim como a poupança, geralmente tem resgate imediato, mas nem todo CDB tem alta liquidez, fique tento à liquidez diária se for aplicar a sua Reserva de Emergência;
  • quanto mais dinheiro você tiver para aplicar, maior será a possibilidade de conseguir percentagens maiores do CDI com o seu banco;
  • é um ótima alternativa de renda fixa (RF), sendo mais rentável que alguns fundos de RF;
  • boa alternativa ao Tesouro Selic, que exige da pessoa uma conta numa corretora de valores e o pagamento de taxas extras, e atualmente tem remuneração muito baixa.
  • Alternativa segura para aplicar a sua Reserva de Emergência, quando oferece liquidez diária.
Alguns itens que podemos registrar como desvantagens:
  • incidência do imposto IR retido na fonte sobre o rendimento quando do resgate;
  • resgates nos primeiros 30 dias são penalizados com a incidência de imposto sobre operações financeiras (IOF) - conforme esta tabela;
  • é necessário que se deixe o dinheiro aplicado por pelo menos 721 dias para se pagar a menor alíquota do IR, ou seja, 15% (conforme explicado abaixo);
Eis o que você paga de IR quando do tempo da aplicação:


  • Até 180 dias (1º semestre da aplicação) = 22,5%
  • De 181 dias até 360 dias (2º semestre da aplicação) = 20%
  • De 361 dias até 720 dias (2º ano da aplicação) = 17,5%
  • Acima de 721 dias (2 anos + 1 dia de aplicaçao) = 15%

Como vemos os CDBs pagam bem aos que podem deixar seu dinheiro aplicado por mais de 721 dias. Ao aplicar é preciso lembrar que quanto maior for a quantidade de dinheiro a ser aplicado, melhor deverá ser a percentagem de CDI paga pela aplicação. Fique atento, alguns bancos oferencem taxas diferentes do CDI quando você faz a aplicação via internet banking ou via telefone através da mesa de investimentos do banco (um exemplo é o Santander). Um último ponto a ser considerado é que se a maioria dos bancos paga, digamos, 90% a 100% do CDI e um banco menor (de segunda linha) oferece CDBs para a mesma quantidade de dinheiro pagando entre 107 e 120% do CDI.

Evite aplicar se o banco pagar menos de 95% do CDI, pois dependendo das variações do CDI, terá um desempenho muito próximo ou, às vezes, pior que o da poupança. Hoje existem bancos que oferecem CDBs a partir de 100 reais de aplicação, mas cuidado com o percentual do CDI, que geralmente é baixo para aplicações de pequeno volume e pode ocorrer o explicado logo acima. Atualmente, o banco do qual sou correntista oferece aplicação de 500 reais a 99% do CDI (bom, na minha opinião).

Pessoalmente acho o CDB uma aplicação muito boa, que paga bem e é descomplicada. Eu mesmo não acho interessantes aplicações muito longas, pois acredito que em dois a cinco anos muita coisa na economia do país pode mudar, portanto prefiro as aplicações em CDB de até 5 anos.

Fico por aqui, aguardando que você sinta o doce gosto na boca de ver sua aplicação de CDB crescendo dia após dia.

Bons investimentos!