sábado, 24 de novembro de 2012

CARTÃO DE CRÉDITO SEM DÍVIDA!


Uma realidade irrefutável do mundo atual é a utilização de meios alternativos ao dinheiro na hora de pagar as compras. Isso é uma tendência mundial da qual não dá para escapar, sobretudo se você é o tipo de pessoa que costuma viajar.

O chamado “dinheiro de plástico” veio para substituir o em espécie, aquele coloridinho com os animais da fauna brasileira, que ficam lindos dentro das nossas bolsas e carteiras. Até rimou! Os cartões de débito e crédito são ambos muito úteis, o primeiro constituindo a principal alternativa para os pagamentos à vista, já que hoje se usa cada vez menos os cheques, e o segundo uma alternativa para a compra a prazo.

O problema do “dinheiro de plástico” é que não se vê o dinheiro que se gasta, tornando-se muito fácil perder as contas do quanto se gastou. Se esse não é um problema para você, parabéns! Saiba, no entanto, que nesse exato momento milhões de pessoas Brasil afora estão superendividadas em cartões de crédito e outras estão prestes a estar...

Como sugere o título deste post o cartão de débito está fora de nosso interesse no momento, assim, fiquemos com o de crédito, afinal, se você ainda não ficou “pendurado no cartão”, é um forte candidato a sê-lo no futuro. Isso não é agouro, não! Muito pelo contrário, um alerta e como diz o velho ditado - "quem avisa, amigo é".

Uma vez entendido que toda compra em cartão de crédito é necessariamente à prazo, tudo começa a fazer sentido, pois tudo que se compra à prazo tem um custo a mais... Aposto que você está dizendo que as Casas Bahia não cobram juros quando o preço de produto parcelado é mesmo de à vista. Seria bom se fosse verdade, mas infelizmente não é assim, assim como não é com o cartão de crédito. Agora talvez você entenda porque nas ruas do centro da cidade se ofereçam cartões de crédito aos transeuntes e porque vivem ligando do Itaú para oferecerem-lhe um ITAUCARD (para mim já foram umas centenas de vezes)!

Afinal, onde estão os juros do cartão se eu pago o mesmo preço do produto que comprei e nenhum centavo a mais. Bem, pode estar embutido na anuidade ou mensalidade (acreditem, existem cartões que cobram mais de 40 reais ao mês para você ser um cliente Platinum!) ou ainda na possibilidade. Possibilidade, como assim?

O banco lhe concede um cartão sabendo que você tem uma renda X e ele lhe oferece um limite X+1 para que você tenha a possibilidade de endividar-se. Essa possibilidade quando se concretiza vira uma bola de neve por vezes de crescimento irreversível, a não ser diante de uma série de medidas drásticas... Bem, não queremos ter que lidar com essas medidas drásticas, então fiquemos com a prevenção.

Clique sobre a figura e observe a parte destacada em vermelho.



Essa é uma parte da fatura que a maioria das pessoas nunca observa. O governo há uns tempos atrás obrigou os cartões a deixarem explícito em cada fatura o quanto de encargos o usuário pagaria, caso fizesse o pagamento mínimo (pois antes a informação era obscura!). Se o usuário "Raimundo Faz Tudo", do cartão acima, pagasse o mínimo da fatura (R$410,92), teria que pagar R$349,10 somente de juros na próxima fatura. 410,92 - 349,10 = 61,82 reais, seria a diferença entre os juros e o pagamento mínimo. Ou seja, a próxima fatura teria um valor apenas R$61,82 menor que a atual. Enfim, se a pessoa pagar só o mínimo... pagará e pagará e pagará e nunca acabará... e no dia que morrer, para a família a dívida deixará.

Veja que o total da fatura deu R$ 2.739,48. A custo mensal de juros desse cartão é de 14,49% ao mês, fora outros encargos que podem incidir sobre a dívida, ou seja o juro efetivo ao mês é maior do que isso. Mas você já deve ter visto propagandas na TV e no rádio dizendo que os cartões do BB, ITAÚ, CAIXA etc. baixaram sua taxa de juros. Não caia nessa! Alguns até baixaram, mas porque gastam dinheiro com publicidade para dizer a todo mundo? Para que os desavisados se endividem cada vez mais. Como você agora é avisado, não cairá mais nessa.

Mesmo com os juros mais baixos (não é o caso do exemplo acima) o custo anual de um cartão de crédito é bem superior ao do cheque especial. Não quero que você entre no cheque especial, mas em alguns casos entrar no cheque especial para saldar o cartão pode ser menos prejudicial ao seu bolso que rolar a dívida do cartão. Observe que o custo anual do cartão acima é 453,46%!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Será que você tem a verdadeira noção do que isso significa?

453,46% de juros ao ano faz, por exemplo, com que uma pessoa que deve R$1.000,00 ao cartão e rola a dívida há um ano (sem fazer absolutamente nenhuma nova compra) tenha que pagar R$1.000,00 + R$4.534,60 (de juros) = R$5.534,60 – como diria Boris Casoy “isto é uma vergonha!”

Já pensou você pedir 10 reais emprestado ao seu irmão e ele dizer: “tudo bem, pega aí. Mas daqui a doze meses você vai me pagar 55 reais e 35 centavos”. Aposto que você não faria esse empréstimo, ou arranjaria outro irmão. Bem, acho que é mais fácil simplesmente não fazer o empréstimo.

Você deve está apavorado, ou será que ainda não consegui fazer isso? A poupança, com sorte, renderá 6% no ano de 2012 (devido à queda da SELIC). 6%!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Uma mixaria. Entenda que o cartão de crédito é muitíssimo esperto, pois ele sabe iludir a todos nós, pessoas de bem, que de juros não entendem muito bem. Assim, ele consegue ganhar de um devedor centenas de vezes mais do que a aplicação mais rentável que você possa conhecer no mundo financeiro!

Então, seu Daniel autor desse belo blog, o que devo fazer?

Algumas dicas práticas para evitar o endividamento no cartão de crédito:

1. Prefira cartões sem anuidade (tenho 3 e pago zero anuidade sem ser milionário, para isso converse com seu banco).

2. Evite compras parceladas (mesmo as “sem juros”), pois elas são uma larga porta de entrada para o endividamento.

3. Limite o número de cartões de crédito (tenho três com anuidade zero, mas só uso um), o excesso deles é também uma larga porta de entrada para o endividamento.

4. Não se impressione com os programas de pontos, pois eles existem para estimular o consumo e consequentemente o endividamento (os administradores também estudaram a Psicologia Comportamental de Skinner na disciplina de Psicologia!).

5. Só compre o que puder efetivamente pagar. Jamais compre algo com um “dinheiro que você vai ter, mas ainda não tem”, pois imprevistos podem ocorrer, como uma doença, você perder o emprego, ou o seu cliente não lhe pagar.  Não comprometa seu salário que ainda não saiu com a fatura do cartão a ser paga no próximo mês.

6. Abra uma poupança que será zerada todo mês na data do pagamento do cartão. Conforme for fazendo compras, sempre transfira o equivalente a elas para essa poupança. No dia do pagamento é só resgatar a poupança integralmente e pagar o cartão sem sufoco.

7. Estipule um limite seu (não o do cartão) para a utilização dele. Suponhamos que o limite seja do cartão seja 4.000 reais, estipule gastar no máximo até 1.000 reais, e quando chegar nesse valor ou próximo dele, simplesmente tire-o da sua carteira e deixe-o bem guardado no fundo do guarda-roupas até o próximo mês!

8. Se você não costuma controlar as despesas no cartão, destrua-o e cancele-o imediatamente (sem cair na conversa do teleatendimento) ou retire-o da carteira e passe a usá-lo em compras muito específicas, como a compra de uma geladeira paga à prestação.

Acredito que essas dicas são muito úteis. Não as tirei de canto nenhum, pois eu mesmo as pratico. Para finalizar, quero que você saiba que pesquisas já mostraram que os usuários de cartões de crédito tendem a gastar 30% a mais do que o que ganham, sendo os maiores endividados adultos jovens, e claro, nunca se esqueça que as taxas de juros praticadas por eles são seguramente as mais altas do mercado.

Espero ter acrescentado à sua vida financeira.

Até o próximo post e bons investimentos!
Daniel

domingo, 2 de setembro de 2012

TORNANDO-SE UM GRANDE INVESTIDOR EM AÇÕES - Parte 3




Hoje a previsão do tempo prometeu sol, mas está nublado... a vida parece repleta de incertezas e se você parar para pensar, na verdade, muitas das decisões que tomamos no dia a dia são baseadas em intuições ou pressentimentos. Embora busque sempre tomar decisões da forma mais racional possível, no final das contas geralmente ocorre aquele sentimento do tipo isso vai dar certo ou acho que estou fazendo a coisa errada... Não posso ignorar esse lado misterioso da vida e das decisões tomadas por nós, reles mortais, por outro lado entendo que basear-se somente nos sentimentos pode levar alguém a tomar as decisões menos acertadas na vida. Diante desse fato, deixemos agora o subjetivismo e passemos ao que pode ser objetivo.

Este post é o terceiro de uma série que tenta reunir as características típicas de um grande investidor, baseando-se principalmente nas ideias de Warren Buffet, expressas no livro O Tao de Warren Buffet (como aplicar a sabedoria e os princípios de investimento do gênio das finanças em sua vida).

Até aqui vimos que um grande investidor deve: ser bom vendedor; ter poder de decisão; ter humildade; ter estudo; ter um método de análise das ações, dispor de tempo (ainda que não muito).
Hoje completaremos a lista falando sobre como Escolher Boas Ações, Observar o Mercado, e ter Paciência.

ESCOLHER BOAS AÇÕES

Penso que primeiramente é necessário entender o que pode ser uma boa ação na bolsa de valores. Alexander Elder afirma, em seu livro Trading for a living, que o preço de uma ação tem muito pouco a ver com a empresa que ela representa. Em outras palavras, o importante seria analisar as ações em si e seu desempenho no mercado nos últimos dias, semanas, meses ou anos.

Tenho que concordar com Elder em alguma medida e não é difícil de entender a sua forma de pensar, afinal, ele utiliza eminentemente a análise técnica (gráfica). Assim, para ele pouco importa se a ação é de uma empresa que refina petróleo, fabrica sandálias, bicicletas ou administra rodovias... importa somente o estudo dos gráficos e dos volumes de negócios das ações em questão, para descobrir se vale a pena comprá-las naquele momento.
Por outro lado, temos a compreensão de Warren Buffett que, como um bom investidor de longo prazo, prefere analisar os fundamentos da empresa antes de adquirir as ações dela. Assim, Buffett diz que “se uma empresa vai bem, a ação acabará subindo”¹. No pensamento dele o que importa, na verdade, são evidências de que ela gera lucros no momento e tem boas perspectivas de continuar assim nos próximos anos. Encontrando-se uma empresa nessas condições, pode-se, então, partir para a compra das ações.

Se pensarmos mais a fundo sobre esta questão, perceberemos que tanto Elder quanto Buffett têm razão. A escolha de boas ações dependerá do tipo de método de análise que você tiver escolhido para nortear as suas decisões. Você poderia até sugerir: que tal usar a análise dos gráficos das ações, dando preferência a negociar ações de empresas sólidas e que sejam muito negociadas na bolsa. Ótimo, seria uma boa pedida, neste caso o risco seria reduzido, mas, por outro lado, você poderia não lucrar tanto como alguns investidores de ações de 2ª e 3ª linha (aquelas de empresas menores, que muitas vezes você nunca ouviu falar), que podem proporcionar ganhos de mais de 200% ou 300% em um ano. Como foi o caso da ação MNDL4 (atual MNDL3, da Mundial) que no ano passado subiu mais de 3000% e em poucas semanas despencou ao seu nível normal de preço (fato conhecido como a Bolha do Alicate).

Certamente, em um movimento brusco como este, muitos traders devem ter realizado ganhos invejáveis. Eu fui um dos que apostei num bate e volta depois da grande queda e lucrei 34% comprando ações MNDL4 no final do pregão de uma sexta e vendendo-as na manhã da terça-feira.

Portanto, independentemente de buscar por ações para investir no longo prazo ou investimentos rápidos e puramente especulativos (trades), busque pelos sinais dentro do método de análise por você escolhido que indiquem as “boas ações” a serem negociadas. 

É válido lembrar, no entanto, que se você der preferência a ações de empresas sólidas, bem administradas, que gerem lucro e que sejam muito negociadas (líquidas), os riscos envolvidos na operação deverão ser reduzidos, mas não deixaram de existir. Eu, por exemplo, mantenho Vale e Petrobrás em minha carteira esperando que se recuperem para poder vendê-las, que são as rainhas da liquidez na bolsa, muito sólidas mas, como qualquer papel (ação) da bolsa, estão sujeitas ao humor do mercado.

OBSERVAR O MERCADO

O bom agricultor observa o tempo, o céu, as plantas, as aves, os insetos e acontecimentos passados (recentes ou remotos) para saber se valerá a pena o esforço do plantio no campo naquela temporada.

Pois bem, com o investidor em ações deve ocorrer algo semelhante. Ele deve ser capaz de, através da sua observação, detectar as mudanças de tendências do mercado e momentos de crise, ver a aceitação do produto da empresa, estudar os gráficos das ações nos últimos 5 anos, para decidir o que fazer em relação a uma ação.

Buffett alerta, “veja as flutuações do mercado de ações como suas aliadas, não como suas inimigas – lucre com a insensatez ao invés de participar dela”¹, ou seja, ele diz para comprarmos exatamente quando todos estão vendendo, pois aí os preços estarão descontados (como numa liquidação), então é só comprar e aguardar (mas, cuidado, pode ser que demore bastante a subir novamente).

Buffett ressalta que “grandes oportunidades de investimentos surgem quando empresas excelentes estão cercadas de circunstâncias incomuns que fazem suas ações serem mal avaliadas”¹. Para isso ficar mais claro, é só pensar em ações como a ELPL4 (Eletropaulo) e VALE5 (Vale), que estão com preços bastante convidativos e que, certamente, recuperarão suas cotações num futuro não tão distante. Se você acha que soei impreciso quando disse “não tão distante”, é por ser (praticamente) impossível prever (com precisão) o futuro da cotação de uma ação na bolsa, embora muitos se arrisquem no terreno da vidência.

PACIÊNCIA

Esse quesito é simplesmente essencial, em minha opinião, para que uma pessoa tenha sucesso como investidor na bolsa de valores.  Alexander Elder afirma que “a paciência é uma virtude para um trader”² (tradução nossa). Vou demonstrar com um exemplo real, a importância desta virtude.

“Por maior que seja o talento ou esforço, algumas coisas exigem tempo: não dá para produzir um bebê em um mês engravidando nove mulheres”¹, diz Buffett. Se para produzir um bebê leva-se 9 meses, o período deverá ser cumprido para que a criança nasça saudável. Porém, existem fatores incontroláveis durante uma gravidez que podem levar a um nascimento prematuro. Imagine agora uma mãe tão ansiosa que queira que o filho nasça aos 4 meses! Ou que acredite estar passando por tantos desconfortos que queira interromper a gravidez! Naturalmente que isso não deve ocorrer, mas pode ser explicado em casos de riscos extremos ou situações de doença mental.

Na vida real um nascimento prematuro pode trazer consequências irreversíveis para a criança. Agora, pensemos que as intercorrências durante uma gravidez possam ser entendidas como as emoções do investidor (ansiedade, impaciência, tristeza, euforia...), que muitas vezes são incontroláveis. Mas aí é que está o segredo, se o investidor não souber exercitar a paciência cuidando bem da operação, poderá acabar sem o filho (os lucros) que só virá mediante a paciência com a gravidez (controlando os desconfortos) e perícia para detectar os primeiros sinais de que o parto se aproxima, aumentando as possibilidades de um parto bem sucedido.

Exemplo de Paciência
Suponhamos que você esteja estudando e acompanhando a ação PETR4 nas últimas semanas e ela venha variando pouco, mantendo certa cotação média. A ação cai uns 3% num só dia sem nenhuma explicação clara para tal, você acha que é um bom ponto de entrada para a compra, daí você emite a ordem de compra de 100 ações a 25,70. Como a ação é de uma empresa sólida, que dá lucro e que estava mantendo uma cotação maior que a atual (do dia da compra), você pensa que inevitavelmente ela irá se recuperar logo. O problema é que, para a sua surpresa, isso não ocorre e ela entra numa tendência de baixa por meses a fio até chegar a mais ou menos 18 reais. Isso soa familiar?

Hoje a cotação da PETR4 está em mais ou menos 21 reais e, aparentemente, numa tendência de alta, mas foi preciso bater no fundo do poço a uns 18,00, para ensaiar o movimento de retorno à sua cotação (real, se é que isso existe). Veja bem. Eu comprei Petrobrás exatamente nessa situação, vi-a despencar e me segurei para não realizar o prejuízo. Se tivesse vendido no auge do desespero, assim como muitos, eu seria apenas mais um “quebrando a cara”, ou a conta. A cotação lentamente está reagindo e realmente acredito que ela voltará a subir. A questão aqui é a paciência necessária para não perder dinheiro na operação (ou no trade, como alguns preferem). Segurei a ação, pois tinha em mente que ela comporia uma carteira para o longo prazo e eu não me deixaria abalar com a volatilidade do mercado.

O exercício da paciência possibilitará que você não venda com prejuízo. Evitará também que você venda prematuramente uma ação que iniciou uma tendência de alta, e assim, você lucrará mais. Acredito que a aquisição da paciência se dê por puro exercício, assim como a boa capacidade de observar o mercado e tomar atitudes mais acertadas. A prática aliada ao estudo deverão apontar os caminhos a seguir.

Para concluir este (longo) post, cito a lista completa de virtudes a serem perseguidas pelo investidor:
1
  1. ser bom vendedor (vender mais caro do que comprou);
  2. ter poder de decisão (evitar erros sem ter medo de errar);
  3. ter humildade (saber que por mais que você saiba, o mercado é dinâmico);
  4. ter estudo (dispor da teoria para compreender melhor a prática);
  5. ter um método de análise das ações (partir de premissas objetivas);
  6. dispor de tempo (ter disciplina com o seu tempo. Tempo é dinheiro!);
  7. escolher boas ações (comprar empresas sólidas, só negociar ações de 2ª e 3ª linha quando for mais experiente);
  8. observar o Mercado (analisar a conjuntura do momento e definir sua estratégia);
  9. ter paciência (saber aguardar para comprar bem e vender bem).

A lista de virtudes aqui exposta não é absoluta e nem definitiva, mas acredito que poderá servir de ponto de partida ou inspiração para muitos investidores iniciantes. É certo que todo investidor fraquejará em alguma(s) dessas áreas durante sua caminhada rumo ao sucesso nos investimentos, mas se buscar estes princípios em sua caminhada, estará cada vez mais próximo de seu alvo final.

That’s all folks!

Um abraço e ótimos investimentos a todos.
Daniel

Fico aberto a comentários e dúvidas.

Referências e Notas:



1. BUFFETT, M.; CLARK, D. O tao de Warren Buffett. Rio de Janeiro: Sextante, 2007. (p. 40, 144, 145, 148).
2. ELDER, Alexander. Trading for a living: psychology, trading tactics, money management. New York: John Wiley & Sons, 1993. (p. 84)



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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Frase do Mês (Ago/2012)

"O importante não é que aquilo que faria se tivesse um milhão de reais, mas aquilo que estou fazendo com os dez reais que possuo" Howard Dayton

sábado, 18 de agosto de 2012

TORNANDO-SE UM GRANDE INVESTIDOR EM AÇÕES - Parte 2

No último mês, sobretudo nas últimas duas semanas, pude experimentar a enorme pressão psicológica que uma Tese de Doutorado prestes a ser concluída pode proporcionar a um reles mortal. Queria muito escrever esse post para dar continuidade ao anterior, mas as obrigações falavam mais alto e só pude redigi-lo hoje.

No post anterior ao introduzir o tema, sugeri três qualidades necessárias a um bom negociador de ações ou trader¹, como alguns preferem. O trader precisa ser um bom vendedor; ter poder de decisão; ter humildade. Para relembrar o que cada uma dessas características significa, (re)veja o post anterior.

Neste e no próximo post destacarei outras três importantes características necessárias a um bom trader, a começar pelos bons hábitos.


BONS HÁBITOS


“Os grilhões do hábito são leves demais para serem sentidos,
até que ficam pesados demais para serem rompidos” (p. 25)²


Os bons hábitos na vida, para mim, são o que diferenciam uma pessoa que tem controle sobre a sua vida de uma que é controla por ela. Por não desenvolverem bons hábitos de investimento antes de iniciarem a negociar ações, a maioria dos iniciantes da bolsa de valores acaba abandonando-a, antes mesmo de realizar os tão sonhados lucros.

Em relação a isto temos dois problemas. O primeiro deles é a fantasia de “ficar milionário" rapidamente investindo em ações, já o segundo, é justamente a falta de bons hábitos de investimento, o que afetará diretamente a sustentabilidade da empreitada.

Que bons hábitos seriam esses? Acredito que o ESTUDO deva ser o mais importante de todos. Assim, todo aquele que de fato quiser lucrar com ações deverá preparar-se por meio de um arcabolso teórico solidificado para não começar os seus investimentos em ações como a maioria (desinformada), achando que poderá “dar sorte” e ficar rico. Para esse tipo de investidor talvez a mega sena seja uma boa alternativa à bolsa de valores. Vale ressaltar, porém, que a pessoa deverá estudar o necessário para iniciar e, conforme for amadurecendo, procurar por obras mais aprofundadas sobre o assunto (a maioria na língua inglesa).

Outro bom hábito é ter um TEMPO, que pode ser de uns 15 minutos, diário, semanal, quinzenal ou mensal para checar o andamento do mercado ou da sua carteira de ações. Alguns acreditam que para investir na bolsa é preciso ser uma pessoa com os nervos à flor da pele, com os olhos vermelhos vidrados na tela do homebroker, sofrendo taquicardia, ansiedade, and so on... Até entendo, afinal tem a ver com o os filmes mostrados no cinema e na TV, com aquele trader obcecado que lê gráficos intermináveis e descobre quase que magicamente, através de uma inusitada relação de variáveis matemáticas representadas por letras gregas, o ponto de entrada e o ponto de saída do trade (negociação).

Estabelecido quanto tempo você disporá para acompanhar o mercado, discipline-se para cumprir o seu autocompromisso. Lembre-se que quanto mais tempo você passar na frente da tela do computador, mas fácil será você emitir ordens de compra e venda desnecessárias. Comparo isso a ir passear num shopping center e ficar de bobeira observando todas as vitrines (uma hora você acaba comprando algo, nem que fique endividado).

Muitos traders ficam descompensados, emitindo ordens em demasia (o que gera muitas taxas de corretagem) e, consequentemente, perdas de capital. Por isso nutro certa reserva à prática do daytrading (comprar e vender as mesmas ações no mesmo dia). Acredito que uma parcela considerável dos seus praticantes sejam, na verdade, neófitos com baixos retornos que se escondem por trás de jargões do mercado (isso é apenas uma opinião).

Escolha um MÉTODO DE ANÁLISE de ações para se aprofundar nele, ou se preferir combine os dois principais que existem, o de análise técnica e o de análise fundamentalista.  Explico rapidamente o que é cada um deles. 

O método de análise técnica é aquele que se baseia principalmente no estudo da evolução dos gráficos de uma ação, procurando definir quando há "tendências de baixa" (queda no preço) ou "tendências de alta" (aumento no preço), ou seja, tenta prever como será o movimento futuro do preço da ação no curto e curtíssimo prazo, com base nas variações de preços passadas (e presentes).

Já o médoto fundamentalista baseia-se no estudo dos relatórios financeiros das empresas, onde busca por indicadores que atestem que a empresa vai bem economicamente e está dando lucro. Assim, esse método, por vezes, tenta projetar o lucro da empresa para os próximos anos. Com esta projeção espera-se aumentar as possibilidades de acerto em relação às empresas que se valorizarão e, consequentemente, terão suas ações valorizadas na bolsa.

Qual o melhor método de análise? Na verdade ambos se complementam e nenhum é perfeito. A mensagem aqui é: se você pretende ser um "grafista" (usar a análise técnica), que estude o assunto e seja bom; se pretende ser um "fundamentalista" (usar a análise fundamentalista), que seja bom também, se pretende estudar os dois métodos e tentar usar um pouco do que cada um pode oferecer, pode ser uma boa alternativa também.

Perceba que ao ter um MÉTODO DE ANÁLISE, algum TEMPO para acompanhar o mercado (ainda que seja anualmente) e saber que sempre precisará saber mais através do ESTUDO, você terá desenvolvido bons hábitos que garantirão a sustentabilidade da sua empreitada no longo prazo.

Porque é tão importante desenvolver esses bons hábitos? Para que você possa defender-se de si mesmo, pois de acordo com Warren Buffett, um dos maiores investidores da história, “não será a economia que derrubará os investidores, serão os próprios investidores” (grifo nosso, p. 132)2. Daí porque acredito piamente que os nossos hábitos de investidor determinarão se seremos investidores prósperos ou perdedores frustrados com a bolsa de valores.

Finalizo com a seguinte reflexão, do mesmo autor, o mercado ajuda a quem se ajuda, mas não perdoa aqueles que não sabem o que fazem2.

Se este texto lhe ajudou a refletir, deixe um comentário ou pergunta.


Saudações e bons investimentos!
Daniel



1. Embora o termo trader seja normalmente usado para indicar um especulador, aqui ele é usado em seu sentido amplo, como investidor individual (não profissional).