Aprenda a investir dinheiro, entenda melhor sua relação com ele e mais...
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Frase do Mês (Ago/2012)
"O importante não é que aquilo que faria se tivesse um milhão de reais, mas aquilo que estou fazendo com os dez reais que possuo" Howard Dayton
sábado, 18 de agosto de 2012
TORNANDO-SE UM GRANDE INVESTIDOR EM AÇÕES - Parte 2
No último mês, sobretudo nas últimas duas semanas, pude experimentar a enorme pressão psicológica que uma Tese de Doutorado prestes a ser concluída pode proporcionar a um reles mortal. Queria muito escrever esse post para dar continuidade ao anterior, mas as obrigações falavam mais alto e só pude redigi-lo hoje.
No
post anterior ao introduzir o tema, sugeri três qualidades necessárias a um
bom negociador de ações ou trader¹, como alguns preferem. O trader precisa ser um bom
vendedor; ter poder de decisão; ter humildade. Para relembrar o que cada uma
dessas características significa, (re)veja o post anterior.
Neste
e no próximo post destacarei outras três importantes características
necessárias a um bom trader, a começar pelos bons hábitos.
BONS
HÁBITOS
“Os grilhões do hábito são leves demais para serem sentidos,
até que ficam pesados demais para serem rompidos” (p. 25)²
Os
bons hábitos na vida, para mim, são o que diferenciam uma pessoa que tem
controle sobre a sua vida de uma que é controla por ela. Por não desenvolverem
bons hábitos de investimento antes de iniciarem a negociar ações, a maioria dos
iniciantes da bolsa de valores acaba abandonando-a, antes mesmo de realizar os tão sonhados lucros.
Em
relação a isto temos dois problemas. O primeiro deles é a fantasia de “ficar
milionário" rapidamente investindo em ações, já o segundo, é justamente a falta de bons
hábitos de investimento, o que afetará diretamente a sustentabilidade da empreitada.
Que
bons hábitos seriam esses? Acredito que o ESTUDO deva ser o mais importante de
todos. Assim, todo aquele que de fato quiser lucrar com ações deverá
preparar-se por meio de um arcabolso teórico solidificado para não começar os seus
investimentos em ações como a maioria (desinformada), achando que poderá “dar
sorte” e ficar rico. Para esse tipo de investidor talvez a mega sena seja uma boa
alternativa à bolsa de valores. Vale ressaltar, porém, que a pessoa deverá
estudar o necessário para iniciar e, conforme for amadurecendo, procurar por
obras mais aprofundadas sobre o assunto (a maioria na língua inglesa).
Outro
bom hábito é ter um TEMPO, que pode ser de uns 15 minutos, diário,
semanal, quinzenal ou mensal para checar o andamento do mercado ou da sua
carteira de ações. Alguns acreditam que para investir na bolsa é preciso ser
uma pessoa com os nervos à flor da pele, com os olhos vermelhos vidrados na
tela do homebroker, sofrendo taquicardia, ansiedade, and so on... Até entendo, afinal tem a ver com o os filmes
mostrados no cinema e na TV, com aquele trader obcecado que lê gráficos intermináveis e
descobre quase que magicamente, através de uma inusitada relação de variáveis
matemáticas representadas por letras gregas, o ponto de entrada e o ponto de saída do trade (negociação).
Estabelecido
quanto tempo você disporá para acompanhar o mercado, discipline-se para cumprir o seu autocompromisso. Lembre-se que quanto mais tempo você passar na
frente da tela do computador, mas fácil será você emitir ordens de compra e
venda desnecessárias. Comparo isso a ir passear num shopping center e ficar de
bobeira observando todas as vitrines (uma hora você acaba comprando algo, nem
que fique endividado).
Muitos
traders ficam descompensados, emitindo ordens em demasia (o que gera muitas
taxas de corretagem) e, consequentemente, perdas de capital. Por isso nutro certa reserva
à prática do daytrading (comprar e vender as mesmas ações no mesmo dia). Acredito que uma parcela considerável dos seus
praticantes sejam, na verdade, neófitos com baixos retornos que se escondem por
trás de jargões do mercado (isso é apenas uma opinião).
Escolha
um MÉTODO DE ANÁLISE de ações para se aprofundar nele, ou se preferir combine os dois principais que existem, o de análise técnica e o de análise fundamentalista. Explico rapidamente o que é cada um deles.
O método de análise técnica é aquele que se baseia principalmente no estudo da evolução dos gráficos de uma ação, procurando definir quando há "tendências de baixa" (queda no preço) ou "tendências de alta" (aumento no preço), ou seja, tenta prever como será o movimento futuro do preço da ação no curto e curtíssimo prazo, com base nas variações de preços passadas (e presentes).
Já o médoto fundamentalista baseia-se no estudo dos relatórios financeiros das empresas, onde busca por indicadores que atestem que a empresa vai bem economicamente e está dando lucro. Assim, esse método, por vezes, tenta projetar o lucro da empresa para os próximos anos. Com esta projeção espera-se aumentar as possibilidades de acerto em relação às empresas que se valorizarão e, consequentemente, terão suas ações valorizadas na bolsa.
Qual o melhor método de análise? Na verdade ambos se complementam e nenhum é perfeito. A mensagem aqui é: se você pretende ser um "grafista" (usar a análise técnica), que estude o assunto e seja bom; se pretende ser um "fundamentalista" (usar a análise fundamentalista), que seja bom também, se pretende estudar os dois métodos e tentar usar um pouco do que cada um pode oferecer, pode ser uma boa alternativa também.
O método de análise técnica é aquele que se baseia principalmente no estudo da evolução dos gráficos de uma ação, procurando definir quando há "tendências de baixa" (queda no preço) ou "tendências de alta" (aumento no preço), ou seja, tenta prever como será o movimento futuro do preço da ação no curto e curtíssimo prazo, com base nas variações de preços passadas (e presentes).
Já o médoto fundamentalista baseia-se no estudo dos relatórios financeiros das empresas, onde busca por indicadores que atestem que a empresa vai bem economicamente e está dando lucro. Assim, esse método, por vezes, tenta projetar o lucro da empresa para os próximos anos. Com esta projeção espera-se aumentar as possibilidades de acerto em relação às empresas que se valorizarão e, consequentemente, terão suas ações valorizadas na bolsa.
Qual o melhor método de análise? Na verdade ambos se complementam e nenhum é perfeito. A mensagem aqui é: se você pretende ser um "grafista" (usar a análise técnica), que estude o assunto e seja bom; se pretende ser um "fundamentalista" (usar a análise fundamentalista), que seja bom também, se pretende estudar os dois métodos e tentar usar um pouco do que cada um pode oferecer, pode ser uma boa alternativa também.
Perceba
que ao ter um MÉTODO DE ANÁLISE, algum TEMPO para acompanhar o mercado (ainda
que seja anualmente) e saber que sempre precisará saber mais através do ESTUDO,
você terá desenvolvido bons hábitos que garantirão a sustentabilidade da sua
empreitada no longo prazo.
Porque
é tão importante desenvolver esses bons hábitos? Para que você possa
defender-se de si mesmo, pois de acordo com Warren Buffett, um dos maiores
investidores da história, “não será a economia que derrubará os investidores,
serão os próprios investidores” (grifo nosso, p. 132)2. Daí porque acredito
piamente que os nossos hábitos de investidor determinarão se seremos investidores
prósperos ou perdedores frustrados com a bolsa de valores.
Finalizo com a seguinte reflexão, do mesmo autor, o mercado ajuda a quem se ajuda, mas não perdoa aqueles que não sabem o que
fazem2.
Se este texto lhe ajudou a refletir, deixe um comentário ou pergunta.
Saudações e bons
investimentos!
Daniel
Daniel
1. Embora o termo trader seja normalmente usado para indicar um especulador, aqui
ele é usado em seu sentido amplo, como investidor individual (não
profissional).
2. M. BUFFETT e D. CLARK, O Tao de
Warren Buffett, Rio de Janeiro: Sextante, 2007.
Você poderá gostar também de:
quarta-feira, 4 de julho de 2012
TORNANDO-SE UM GRANDE INVESTIDOR EM AÇÕES - Parte 1
Na
vida existem muitas coisas boas, delas, algumas o dinheiro compra e outras nem
o homem mais rico do mundo poderia comprar. Este Blog tem o objetivo de tornar
as pessoas mais sensíveis à necessidade de cuidar bem de seu patrimônio e, até
mesmo, ajudá-las a enriquecer de forma programada e equilibrada. Não é objetivo
dele, no entanto, criar nas pessoas uma neurose econômica ou supervalorizar o
consumo e o dinheiro em detrimento das outras áreas que regem a vida de uma
pessoa.
Meus
amigos e leitores, tenho a impressão de que uma boa forma de aprender a ser bom
em qualquer área é se inspirando naqueles que vieram antes de nós e
desempenharam bem o seu papel. Por exemplo, para você ser muito bom em sua
profissão é bem provável que tenha se inspirado em uma ou algumas pessoas que
eram muito boas também.
Para
mim, uma das fontes de inspiração em relação aos investimentos em ações é
Warren Buffett, que por sua vez já se inspirava no lendário Benjamim Graham.
Este foi o responsável pela criação da ideia do investimento em valor, ou value investing, que não tem nada a ver
com a ideia preconcebida de enriquecer da noite para o dia negociando ações na
bolsa de valores, mas de construir riqueza no mercado de ações de forma
gradativa, concentrando dinheiro em alguns bons papéis meticulosamente
escolhidos.
Apresento
a seguir três das caraterísticas desejáveis ao investidor em ações.
Bom Vendedor
É
interessante que nunca ninguém se preocupa em treinar pessoas para serem bons
compradores. Eu, pelo menos, nunca vi um curso chamado “Os segredos para ser um
bom comprador”, mas já vi vários do tipo “Seja um vendedor de sucesso”. Talvez porque
a “venda” traga em si a ideia de lucro, afinal quem “ganha o dinheiro” na
relação compra-venda é o vendedor, recebendo uma comissão e os aplausos da
chefia.
Na
verdade, para negociar ações é recomendável ser um bom comprador, tanto quanto
um bom vendedor. Isso parece retórica, pois se entende que um bom vendedor é
naturalmente um bom comprador, pois a mercadoria vendida deve ter sido comprada
mais barato que o preço pelo qual foi vendida. Utilizo-me desse artifício,
porém, para que fique muito claro, que você precisa comprar barato e vender
caro, sempre.
Um
amigo oriental que é um excelente negociador um dia sumarizou o que era ser um
bom vendedor, dizendo, “quem quer ganhar dinheiro compra por 1 e vende por 2”, já
Buffet diz: “nunca tenha medo de pedir
demais ao vender e oferecer de menos ao comprar” (p. 14). [1]
Se
você desaprova esse princípio, ou não concorda com a volatilidade dos preços
das ações no mercado, o melhor que tem a fazer é manter-se afastado dele, ou pode
fazer como alguns investidores que compram ações de tempos em tempos,
paulatinamente, o que no longo prazo pode-se mostrar uma estratégia de ganho
sustentável, desde que sejam escolhidas ações de empresas com perspectivas de crescimento.
Poder de Decisão
Uma característica que é amplamente
defendida para que você se torne um grande investidor é a capacidade de
decidir. No livro “O Tao de Warren Buffett” existe uma miscelânea de máximas
proferidas por esse megainvestidor do mundo ocidental. Uma que muito me chamou
a atenção: “Se você não comete erros, não
pode tomar decisões” (p. 122) [1]. Em outras
palavras, aqueles que tem medo de errar ou postergam decisões importantes
acabam sendo presas fáceis para o mercado.
Decidir é essencial na vida
comum de qualquer pessoa. No mercado de ações as decisões são a base da sua
construção de capital. A menos que você tenha alguém de total confiança administrando
seus investimentos, terá que tomar decisões importantes como, quais ações tirar
e quais incluir na sua carteira; se venderá ou comprará mais de uma determinada
ação devido à baixa do mercado; se mudará de corretora de valores para obter
mais vantagens etc.
O problema não é errar, mas
errar e permanecer empacado, sem dar o próximo passo, sem tomar a próxima
decisão. Não estou dizendo que se você comprou uma ação ruim e o preço dela caiu,
deve vendê-la imediatamente. Muito pelo contrário, essa é uma decisão que deve
ser exclusivamente sua. Eu mesmo tenho uma ação em minha carteira que se
pudesse, me livraria dela, mas acho que permanecerei com ela por um longo tempo
(por decisão e não por omissão).
O importante em relação aos
erros é não se concentrar neles. Preste atenção nos erros dos outros e tente
aprender com eles, da mesma forma preste atenção aos acertos e tente
aprendê-los também. Não fique voltando ao “leite derramado” e se perguntando porquê
vendeu a ação se ela continuou a subir de preço, ou porque não a vendeu ante do
preço ter despencado... Lembre-se, o que
passou, passou.
O que importa é o “de agora
em diante”. Ficar se punindo por uma decisão que se mostrou infrutífera não
leva a nada. Use os seus erros ao seu favor, evitando cometer o mesmo erro duas
vezes. Lembre-se que mesmo os investidores mais experientes cometem erros, mas
nos livros e, principalmente, nos círculos de conversas entre amigos só se
falam sobre as glórias e os acertos. Mas sou enfático em dizer que todos vão
errar, pois o mercado é imprevisível e para mim isso só passou a fazer sentido
agora, após mais de um ano negociando na bolsa de valores.
Humildade
Alguém já disse um dia que
a soberba precede a queda, sei que algo semelhante está escrito na Bíblia, acho
que no livro de Provérbios...
Ao falar em humildade
geralmente se pensa naquela pessoa subserviente, sem iniciativa, sem opinião, e
que está constantemente a depender de alguém ou da decisão de outras pessoas. Na
verdade, isso nada tem a ver com a verdadeira humildade. A humildade representa
para os investidores aquilo que poderá fazer uma grande diferença no longo
prazo, pois os soberbos vão perder muito dinheiro, na medida em que sua
ansiedade e necessidade de autoafirmação com resultados rápidos e precisos serão
dificultadores de uma estratégia vencedora em ações.
Lembre-se que quem não
erra, geralmente não acerta, pois tem medo de tentar. Com humildade pode-se
construir uma meta de investimentos, de forma que os aportes feitos para a
construção do patrimônio em ações seja gradativo, constante e bem planejado.
Essa é uma característica
de base para um grande investidor, pois ao negociar ações pode-se ter muitas
informações que apontam para tendências e expectativas diferentes. A certeza de
que uma ação subirá em breve nem sempre se confirma, podendo levar anos para
acontecer. Muitos podem pensar que isso seria facilmente resolvido vendendo-as
e comprando outras ações. Pessoalmente evito esse movimento, pois o julgo
bastante arriscado, uma vez que nunca se sabe exatamente quanto tempo pode
levar para que uma ação suba. Temo que alguns investidores percam mais dinheiro
do que ganhem com estratégicas desse tipo, afinal, você já começará a nova operação
com o débito da operação anterior (que poderá ser irrecuperável).
Ser humilde é importante
para admitir suas próprias limitações e reconhecer a potencialidade que possa
haver em você e nos outros investidores que você conhece, de forma a aprender com eles.
Foram vistas hoje algumas
características recomendáveis para se tornar um investidor de destaque. Termino
com mais algumas palavras de Buffet: “Nunca olhamos para trás. Achamos que há
tanto para ver à frente que não faz sentido pensar no que poderíamos ter feito.
Simplesmente não faz nenhuma diferença. Você só pode viver a vida para a frente”
(p. 120) [1].
No próximo post,
continuaremos sobre as características desejáveis ao investidor de sucesso.
Saudações e Bons Investimentos!
Referências:
[1]
|
M.
BUFFETT e D. CLARK, O Tao de Warren Buffett, Rio de Janeiro: Sextante, 2007.
|
quarta-feira, 9 de maio de 2012
VALOR ECONÔMICO - Excesso de categorias reflete preocupação com investidor
Excesso de categorias reflete preocupação com investidor (Matéria do Valor Econômico, 09/05/2012)
Classificação das carteiras de acordo com os ativos busca transparência, mas atende mais às necessidades dos gestores de recursos. Por Flávia Lima, São Paulo.
O
investidor Daniel Fonteles: "Parece que o investidor precisa ser um
pequeno 'expert' para poder escolher o fundo apropriado, o que não é
exatamente verdade".
A extensa e detalhada classificação de fundos feita pela
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de
Capitais (Anbima) atende principalmente ao gestor, diz Ricardo Humberto
Rocha, professor de finanças da Fundação Instituto de Administração
(FIA).
"Ela [a classificação] diz o que significa estar naquele fundo em
termos de ativos e de riscos corridos pelo gestor e isso é importante
porque seria um elemento de controle, de auditoria, de autorregulação da
própria Anbima", afirma Rocha, admitindo que o problema envolve o
investidor pessoa física, que ainda está num processo de aprendizado.
Para Rocha, mesmo atendendo sobretudo o gestor, o sistema, no fim das
contas, visa proteger o pequeno investidor. "Mesmo que se faça uma
revisão na classificação dos fundos, sempre a primeira abordagem vai
parecer meio sofisticada. E, de fato, é mesmo, não é um produto
trivial", diz.
O gerente de produtos da Western Asset, Marcelo Guterman, também entende que a ideia dos representantes da indústria - desde a primeira tentativa de classificação - é tornar o investimento o mais transparente possível ao investidor. "A classificação atual pode não ajudar, mas eu não acho que atrapalhe. É como bula de remédio, com aquelas coisas todas escritas. Não ajuda, mas eu tomo o remédio", diz o gerente da Western Asset.
Guterman avalia, no entanto, que a preocupação com a transparência
acabou levando o autorregulador ao detalhamento extremo. "Notou-se, por
exemplo, que alguns multimercados da categoria 'long and short' [fundo
que monta posições compradas e vendidas em bolsa] tinham posição ativa
em bolsa e outros não e logo pensaram em avisar o investidor desta
diferença, criando uma categoria 'direcional' e outra 'neutra'", afirma.
A sopa de letrinhas - e a dificuldade de explicá-la - dá uma noção de
que as intenções positivas no sentido de dar mais transparência à
indústria nem sempre se traduzem em uma melhor compreensão dos produtos
pelo investidor. Que o diga o psicólogo Daniel Fonteles. Embora afirme
que a profusão de categorias de fundos não atrapalhe suas decisões de
investimento, pois sempre optou por avaliar diretamente os prospectos
dos fundos, o investidor de 35 anos diz que a experiência para muitos é
diferente.
Em conversas com amigos e familiares com recursos em fundos, ele
chegou à conclusão que a classificação atual serve mais como uma
barreira ao investidor leigo do que propriamente como um mecanismo de
esclarecimento. "Parece que o investidor precisa ser um pequeno 'expert'
para poder escolher o fundo apropriado as suas necessidades, o que não é
exatamente verdade".
Nos longos debates que tem especialmente com o cunhado sobre o universo dos fundos, Fonteles diz que sai com a impressão de que o excesso de informações traz uma maior dificuldade ao investidor no momento de decidir para onde vai o seu dinheiro. "É um cuidado, mas que pode acabar confundindo".
Para Rocha, da FIA, a saída para tudo isso é investir em um ativo
diferente: a educação. "Vejo alguns anos para que o investidor de varejo
tenha uma melhor compreensão sobre investimentos, embora existam
exceções, como o público mais jovem, que tem mais curiosidade", diz.
Guterman, da Western Asset, concorda. "Talvez o sistema de
classificação possa se sofisticar à medida que o tempo for passando e
não tentar fazer tudo de uma vez", conclui.
Link para a matéria original:
domingo, 29 de abril de 2012
ESCOLHER UMA CORRETORA DE VALORES - Uma Decisão Importante
Acredito que a escolha de uma boa
corretora de valores seja um passo essencial para que os planos de ganhar
dinheiro na bolsa de valores se concretizem, sobretudo, quando nos referimos ao
pequeno investidor. Digo isso, pois existem hoje 1 centena de corretoras cadastradas junto à Bolsa de Valores no
mercado brasileiro, o que poderá dificultar a decisão ante tantas
possibilidades. Será necessário gastar algum tempo analisando as
possibilidades, afinal, isso poderá significar menos taxas pagar e mais dinheiro para
comprar ações!
O QUE É UMA CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS?
Partamos da palavra “corretor”, pois
todos conhecemos ou já ouvimos falar em um “corretor de imóveis”. Os corretores de
imóveis são aqueles profissionais que intermedeiam a compra e venda de imóveis
(casas, apartamentos, salas comerciais etc.) e, em troca disso, recebem uma comissão pelo seu
trabalho de facilitar esse processo. Pois bem, uma corretora de valores mobiliários faz
algo semelhante, tratando-se, porém, de uma instituição que lhe
representa na bolsa de valores para negociar ações perante uma ordem de compra
ou venda de seu cliente (que é você). Todas as corretoras de valores são fiscalizadas
pela CVM, Banco Central e listadas na BM&F
BOVESPA.
EM BUSCA DE UMA CORRETORA DE VALORES – O PRIMEIRO PASSO...
Lembro que na época em que passei
por isso tentei ser o mais racional possível. A minha primeira opção seria a do
banco Santander, por acreditar que seria mais seguro lidar diretamente com uma
corretora de um banco onde eu tivesse conta, afinal, soava “mais correto”. No
entanto, quando verifiquei quanto me custaria manter uma conta na corretora do
banco quase desisto de investir em ações, pois as taxas eram absurdamente altas.
Essa é uma realidade que ocorre em algumas, senão muitas corretoras de bancos
de varejo.
Depois disso passei a pesquisar
na internet “rankings de corretoras de valores”. Tenho que admitir que sempre fui muito
desconfiado dessas indicações prontas – sempre acho que alguém pagou para sair
no topo da lista – mas eu precisava ter algum ponto de partida, visto não
entender muito do assunto. Minha primeira luz foi um amigo que já investia, só
que como ele era muito rico, mantinha duas contas em corretoras de bancos, sendo uma
no Itaú e outra no Bradesco, coisa que para mim seria extremamente desvantajoso
pelo excesso de taxas que haveria de pagar.
Deparei-me, então, com um ranking
promovido pelo portal Infomoney, constatando que alguns daqueles nomes de corretoras já me
eram conhecidos, pois muitos costumavam aparecer no UOL Economia quando
mensalmente divulgavam as carteiras de ações sugeridas. Isso me fez sentir que
estava no caminho certo. Depois visitei os sites de cada uma delas para
verificar as taxas praticadas. Nesse momento, é importante também ligar para a
corretora e se certificar que as informações do site estão atualizadas, a fim de
evitar surpresas desagradáveis após a contratação do serviço. Levantei, também,
informações sobre os serviços oferecidos por cada uma delas e me de
que seria uma corretora indicada para iniciantes ou pequenos investidores, já que existem corretoras com vários perfis de clientes.
A DÚVIDA – MAIS PERTO DA DECISÃO
Fiquei na dúvida entre duas, sendo ambas com corretagens fixas, ou seja, independentemente do volume de dinheiro envolvido na operação de compra ou venda de ações o preço seria sempre o mesmo. Uma
delas tinha corretagem mais barata (5,90) e a outra uma corretagem mais cara (16,90).
Mas parecia óbvio que a minha escolha seria a primeira, na época, a ICAP, já
que a corretagem era “tão barata”. De fato era uma corretagem com preço
invejável, mas ao navegar pelo site e ver que ela cobrava manutenção de conta
caso você não fizesse nenhuma operação no mês (6,90) e, ainda, cobrava pela
custódia das ações, pensei melhor... Como eu tinha somente o capital inicial e
não iria operar constantemente, mas apenas executar as ordens das compras
iniciais e segurar as ações no longo prazo (até hoje estou com elas), acabaria
pagando a manutenção de conta na ICAP todos os meses, assim como a taxa de custódia.
Eu gastaria, portanto, mais ou menos uns 15,80 para fazer apenas uma operação
no mês, pagando uns 10,00 para manter a conta (sem operar), o que daria em um ano
aproximadamente 155 reais[i].
Na outra, que era a Spinelli, a
corretagem fixa era 16,90, só que não havia cobrança de manutenção de conta e nem
de custódia. Aí foi a grande jogada para mim, pois não iria negociar mais que 6
vezes ao ano, o que iria me custar em um ano aproximadamente 102 reais.
Portanto, uma diferença de uns 50 reias. Como estava aplicando um volume
pequeno de dinheiro, considerei que “cada centavo poderia fazer uma grande
diferença no longo prazo”.
Acredito, portanto, que você deva observar, primeiramente, os custos totais de manutenção da conta na corretora e não apenas a corretagem, como é comum acontecer. Verifique o que a corretora lhe oferece, algumas oferecem análises gráficas e fundamentalistas (relatórios), cursos gratuitos, home brokers mais detalhados, negociações via smartphone, negociações via mesa de operações com o mesmo preço da corretagem da negociação via home broker, auxílio na preparação do imposto de renda, fundos de investimento oferecidos pela corretora, operações no Tesouro Direto... enfim, uma infinidade de produtos interessantes. Cabe a você, portanto, decidir quais lhe serão realmente úteis e, a partir daí, buscar o melhor custo/benefício.
Acredito, portanto, que você deva observar, primeiramente, os custos totais de manutenção da conta na corretora e não apenas a corretagem, como é comum acontecer. Verifique o que a corretora lhe oferece, algumas oferecem análises gráficas e fundamentalistas (relatórios), cursos gratuitos, home brokers mais detalhados, negociações via smartphone, negociações via mesa de operações com o mesmo preço da corretagem da negociação via home broker, auxílio na preparação do imposto de renda, fundos de investimento oferecidos pela corretora, operações no Tesouro Direto... enfim, uma infinidade de produtos interessantes. Cabe a você, portanto, decidir quais lhe serão realmente úteis e, a partir daí, buscar o melhor custo/benefício.
Não posso dizer que existem
excelentes e péssimas corretoras, pois apenas experimentei uma até esta data,
com a qual estou satisfeito, que é a Spinelli. No geral, todas as corretoras
fazem a mesma coisa, penso que a maior diferença deva ocorrer na qualidade do
atendimento prestado, sobretudo, ao investidor iniciante que precise tirar
várias dúvidas por telefone ou precise de alguém para gerenciar sua carteira de
ações por não entender bem do assunto.
O QUE É NECESSÁRIO PARA ABRIR UMA CONTA NUMA CORRETORA DE VALORES?
Primeiro, ser maior de idade (18
anos), ter uma conta bancária no Brasil em seu nome, cópias de documento de
identidade, CPF (muitas identidades hoje já contêm o CPF) e comprovante de
residência. Geralmente você tem a possibilidade de enviar tudo digitalizado
para o e-mail da corretora, juntamente com o cadastro preenchido e assinado
(que você imprime do site da corretora). A outra forma de fazer isso é juntar
todos esses documentos e enviar pelo correio, o que demorará um pouco mais...
Eu fiz pelo e-mail e fui surpreendido por um spam poucos dias depois que citava meu nome completo e CPF,
afirmando que eu acessasse um link para validar alguma coisa – que foi sumariamente
apagado da caixa de mensagens. Talvez a postagem da documentação pelo correio
seja um pouco mais segura, visto que na rede há grande roubo de informações que
transitam em e-mails.
Logo abaixo cito os nomes de todas
as corretoras de valores listadas na BM&F BOVESPA na data de 30/03/2012. As comparações que
fiz na escrita do texto remontam à minha experiência de investidor. Não
pretendo com isso direcioná-lo em sua decisão, mas tão somente informá-lo, para
que possa começar a sua própria jornada em busca da corretora ideal! Até porque
consultei o site da ICAP e, no momento, eles parecem ter uma proposta mais
interessante do que antes. Vale a pena fazer uma busca de corretoras pela ferramenta
disponível no site da BM&F BOVESPA, é uma boa forma de chegar a uma
lista para fazer comparações e chegar, finalmente, à que melhor lhe sirva.
Lembre-se, portanto, de conversar
com investidores que você conhece e saber sobre as corretoras que utilizam. Busque
informações em revistas especializadas, sites e portais de economia e pague
somente pelos serviços que realmente irá utilizar. Assim, sobrará mais dinheiro
para você comprar mais ações e ficar mais rico!
Bons investimentos!
CORRETORAS CADASTRADAS NA BOVESPA (30/03/12)
1. AGORA CTVM S.A.
2. ALFA CCVM S.A.
3. ALPES CCTVM S.A.
4. AMARIL FRANKLIN CTV LTDA.
5. ATIVA S.A. CTCV
6. BANIF CVC S.A.
7. BANRISUL S.A. CVMC
8. BARCLAYS CTVM S/A
9. BBM CCVM S.A.
10. BES SECURITIES DO BRASIL CCVM
11. BRADESCO S.A. CTVM
12. BRASCAN S.A. CTV
13. BTG PACTUAL
14. BTG PACTUAL
15. BTG PACTUAL CTVM S.A.
16. CITIBANK DTVM S.A.
17.
CITIGROUP GMB CCTVM S.A.
18.
CITIGROUP GMB CCTVM S.A.
19.
CM CAPITAL MARKETS CCTVM LTDA.
20. CODEPE CV S.A.
21. COINVALORES CCVM LTDA.
22. CONCORDIA S.A. CVMCC
23. CONVENÇÃO S.A. CVC
24. CORRETORA GERAL DE VC LTDA.
25. CORRETORA SOUZA BARROS CT S.A.
26. CORVAL CVM S.A.
27. CREDIT SUISSE BRASIL S.A. CTVM
28. CRUZEIRO DO SUL S.A. CVM
29.
CS HEDGING-GRIFFO CV S.A.
30.
DEUTSCHE BANK CV S.A.
31. DIBRAN DTVM
32. DIFERENCIAL CTVM S.A.
33. DISTRIBUIDORA INTERCAP
34. ELITE CCVM LTDA.
35. ESC. LEROSA S.A. CV
36. ESCRITORIO RUY LAGE SCT LTDA.
37. FATOR S.A. CV
38. FLOW CCTVM
39. FUTURA CCM
40. FUTURA COMMODITIES CM LTDA
41. GBM BRASIL DTVM S/A
42. GERAÇÃO FUTURO CV S.A.
43. GERALDO CORREA CVM S.A.
44. GOLDMAN SACHS DO BRASIL CTVM
45. GRADUAL CCTVM S/A
46. H.COMMCOR DTVM Ltda.
47. H.H. PICCHIONI S.A. CCVM
48. HSBC CTVM S.A.
49. ICAP DO BRASIL CTVM LTDA
50. INDUSVAL S.A. CTVM
51. ING CCT S.A.
52. INTERBOLSA DO BRASIL CCTVM
53. ITAÚ CV S/A
54.
J. P. MORGAN CCVM S.A.
55. J. SAFRA CVC LTDA.
56. LINK S.A. CCTVM
57. LIQUIDEZ DTVM LTDA
58. MAGLIANO S.A. CCVM
59. MAXIMA S/A CTVM
60. MERC. DO BRASIL COR. S.A. CTVM
61. MERRILL LYNCH S/A CTVM
62. MIRAE ASSET SECURITIES BRASIL
63.
MORGAN STANLEY CTVM S.A.
64. MUNDINVEST S.A. CCVM
65. NOVA FUTURA DTVM LTDA
66. NOVINVEST CVM LTDA.
67. OCTO CTVM S/A
68. OLIVEIRA FRANCO SCVC LTDA.
69. OMAR CAMARGO CCV LTDA.
70. PAX CVC S/A
71. PETRA PERSONAL TRADER CTVM S.A
72. PILLA CVMC LTDA.
73. PIONEER CM E FUTUROS
74. PIONEER CMF LTDA.
75. PLANNER CV S.A
76. PRIME S.A. CCV
77. PROSPER APLICAÇÃO CMF LTDA.
78. PROSPER S.A. CVC
79. RENASCENÇA DTVM LTDA
80. SANTANDER CCVM S/A
81. SCHAHIN CCVM S.A.
82. SENSO CCVM S.A.
83. SITA SCCVM S.A.
84. SLW CVC LTDA.
85. SOCOPA SC PAULISTA S.A.
86. SOLIDEZ CCTVM LTDA.
87. SOLIDUS S.A. CCVM
88. SPINELLI S.A. CVMC
89. TALARICO CCTM LTDA.
90. TENDENCIA CCTVM LTDA.
91. TERRA INVESTIMENTOS CM S.A.
92. TERRA INVESTIMENTOS CM S.A.
93. TÍTULO CORRETORA DE VALORES SA
94. TOV CCTVM LTDA.
95. UM INVESTIMENTOS S.A. CTVM
96. UNIBANCO INVESTSHOP CVMC S.A.
97. UNILETRA CCTVM S.A.
98. VOTORANTIM CTVM LTDA
99. WALPIRES S.A. CCTVM
100. XP
INVESTIMENTOS CCTVM S.A.
Notas:
[i]
Sem incluir as taxas de emolumentos cobradas pela bolsa em cada negociação, que
geralmente são da ordem de centavos.
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