segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

SEM FÉ É IMPOSSÍVEL SOBREVIVER À BOLSA



Gostaria de iniciar o post fazendo "um minuto de barulho" em homenagem a Joelmir Beting, conforme recomendação da carta lida ao vivo no dia de sua passagem. Sem dúvida alguma, um brasileiro brilhante!

Onde está a sua fé? Em que ou em quem você tem fé? No momento em que voo de Fortaleza para São Paulo, tenho fé em Deus que chegarei lá, tenho fé (confiança) na habilidade do piloto e do copiloto de conduzirem a aeronave...

Para tudo na vida existem expectativas, ou alvos que queremos alcançar. Skinner, um dos maiores psicólogos que já existiu (um dia dedicarei um post só para ele) e nos ensinou sobre o comportamento operante, diria que tudo são tão somente comportamentos e que esses ocorreriam dependendo de como e quão frequentemente fossem reforçados. No caso do avião, quantas vezes eu havia confiado em Deus e na capacidade dos pilotos para chegar ao meu destino são e salvo e havia funcionado... Já fiz dois pousos de emergência! (sem danos, no entanto).

Este não é um post religioso, mas com certeza lhe fará refletir sobre algumas questões próprias da vida de investidor em renda variável. É sempre corriqueiro ouvir-se que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, que os analistas de mercado ou de corretoras simplesmente parecem prever o que ocorrerá nos próximos meses na bolsa de valores de forma amiúde aleatória, ou que investir na bolsa de valores é bastante arriscado, por isso você não deveria começar antes de ler bastante sobre o assunto, ou que todos que investem na bolsa começam perdendo dinheiro...

Bem, o fato é que para investir é preciso ter fé. Você não ouviu bem? Sim, é fé mesmo, mesmo que você se queixe de ser ateu. Acho que você, leitor, já deve ter-se deparado com a afirmação de que para investir em ações você deveria ser pessimista (quando a maioria dos investidores estava otimista) e otimista (quando a maioria dos investidores estava pessimista).

Recentemente estive lendo mais um livro do renomado Dr. Alexander Elder. Apesar de não simpatizar muito com o método de análise técnica, aquele que fica procurando tendências em gráficos de ações, gosto muito da maneira divertida e aparentemente sincera com a qual esse autor escreve seus livros. O último que li foi o festejado Trading For A Living, que para alguns investidores é como se fosse o “Intelligent Investor” da análise técnica.

Embora Elder às vezes soe um tanto repetitivo, ele nos ensina uma importante lição: ter muito cuidado ao “brincar” com o mercado, afinal, não queremos perder dinheiro. Se não queremos perder dinheiro, porque será que investimos em algo que todo mundo diz ser muito arriscado, volátil, que traz prejuízos anualmente a mais da metade das pessoas que investem nesse tipo de aplicação financeira?

Skinner, o criador da Análise Experimental do Comportamento, diria que isso provavelmente se daria pelo fato de ouvirmos sempre estórias sobre alguém que ficou rico com ações. Essas estórias seriam reforçadoras do comportamento de investir em ações, assim como o fato de que eventualmente alguma ação na carteira desse investidor teria uma alta expressiva ou lhe pagaria gordos dividendos, fazendo mais uma vez com que o comportamento de investir fosse reforçado, ou seja, recompensado por consequências positivas. Skinner era realmente genial!

No entanto, ainda não cheguei onde quero... Se no mercado é tão difícil de ganhar dinheiro, porque continuamos a investir nele? Certamente porque somos muito mais otimistas do que imaginamos. Minha carteira de ações, por exemplo, já caiu esse ano mais de 30% do seu valor total. Mas como não tenho pressa em rever esse dinheiro (mas é claro que quanto mais rápido, melhor!), disponho da possibilidade de aguardar que as ações subam e voltem a dar lucro para mim, um reles mortal que sonha em obter gordos rendimentos investindo em ações num país em desenvolvimento, da América do Sul.

Se todos fossem pessimistas, e a maioria dos muito entendidos do mercado nos ensinam a sê-lo, simplesmente não investiríamos, ninguém estaria na bolsa, estaríamos 100% em renda fixa, talvez comprando títulos da dívida pública, sim pois mesmo os fundos de ações que se gabam de ser diversificados, mais seguros que ações, geridos por especialistas e blá blá blá blá, na maioria das vezes perdem da poupança e de bons CDBs... Vejam esse post de um blog que muito admiro e tenhoseguido de perto e comprovem.

Somos pessoas de fé, não porque o Brasil se diga católico, mas porque apesar das evidências se mostrarem contrárias, como no dado momento em que as ações da Eletropaulo (ELPL4) e da Eletrobrás (ELET3) batem no fundo do poço, acreditamos piamente na virada do mercado, com a qual lucraremos (talvez não tanto quanto desejamos) e partiremos para outras aventuras (empreendimentos responsáveis) que nos conduzirão ao primeiro, de muitos milhões.

Sinceramente, esse é meu desejo para mim e para vocês, investidores de fé.

Já ouvi e li sábios do assunto dizendo que não adianta comprar uma ação e ficar torcendo ou rezando para ela subir... que o investidor deve ser 100% neutro, não emocional e blá blá blá blá blá blá... Será? Mas, afinal, se ninguém sabe o futuro (e todos concordam nisso), não custa nada torcer um pouquinho, não é? A questão é que a escolha da ação para o seu time de ações precisa ser tão bem pensada quanto a compra de um jogador para um time de futebol.

Se você não tem fé, o que está fazendo na bolsa? Sem fé, é impossível sobreviver à bolsa de valores.

Bons investimentos e até o próximo post!

Comentem!

sábado, 24 de novembro de 2012

CARTÃO DE CRÉDITO SEM DÍVIDA!


Uma realidade irrefutável do mundo atual é a utilização de meios alternativos ao dinheiro na hora de pagar as compras. Isso é uma tendência mundial da qual não dá para escapar, sobretudo se você é o tipo de pessoa que costuma viajar.

O chamado “dinheiro de plástico” veio para substituir o em espécie, aquele coloridinho com os animais da fauna brasileira, que ficam lindos dentro das nossas bolsas e carteiras. Até rimou! Os cartões de débito e crédito são ambos muito úteis, o primeiro constituindo a principal alternativa para os pagamentos à vista, já que hoje se usa cada vez menos os cheques, e o segundo uma alternativa para a compra a prazo.

O problema do “dinheiro de plástico” é que não se vê o dinheiro que se gasta, tornando-se muito fácil perder as contas do quanto se gastou. Se esse não é um problema para você, parabéns! Saiba, no entanto, que nesse exato momento milhões de pessoas Brasil afora estão superendividadas em cartões de crédito e outras estão prestes a estar...

Como sugere o título deste post o cartão de débito está fora de nosso interesse no momento, assim, fiquemos com o de crédito, afinal, se você ainda não ficou “pendurado no cartão”, é um forte candidato a sê-lo no futuro. Isso não é agouro, não! Muito pelo contrário, um alerta e como diz o velho ditado - "quem avisa, amigo é".

Uma vez entendido que toda compra em cartão de crédito é necessariamente à prazo, tudo começa a fazer sentido, pois tudo que se compra à prazo tem um custo a mais... Aposto que você está dizendo que as Casas Bahia não cobram juros quando o preço de produto parcelado é mesmo de à vista. Seria bom se fosse verdade, mas infelizmente não é assim, assim como não é com o cartão de crédito. Agora talvez você entenda porque nas ruas do centro da cidade se ofereçam cartões de crédito aos transeuntes e porque vivem ligando do Itaú para oferecerem-lhe um ITAUCARD (para mim já foram umas centenas de vezes)!

Afinal, onde estão os juros do cartão se eu pago o mesmo preço do produto que comprei e nenhum centavo a mais. Bem, pode estar embutido na anuidade ou mensalidade (acreditem, existem cartões que cobram mais de 40 reais ao mês para você ser um cliente Platinum!) ou ainda na possibilidade. Possibilidade, como assim?

O banco lhe concede um cartão sabendo que você tem uma renda X e ele lhe oferece um limite X+1 para que você tenha a possibilidade de endividar-se. Essa possibilidade quando se concretiza vira uma bola de neve por vezes de crescimento irreversível, a não ser diante de uma série de medidas drásticas... Bem, não queremos ter que lidar com essas medidas drásticas, então fiquemos com a prevenção.

Clique sobre a figura e observe a parte destacada em vermelho.



Essa é uma parte da fatura que a maioria das pessoas nunca observa. O governo há uns tempos atrás obrigou os cartões a deixarem explícito em cada fatura o quanto de encargos o usuário pagaria, caso fizesse o pagamento mínimo (pois antes a informação era obscura!). Se o usuário "Raimundo Faz Tudo", do cartão acima, pagasse o mínimo da fatura (R$410,92), teria que pagar R$349,10 somente de juros na próxima fatura. 410,92 - 349,10 = 61,82 reais, seria a diferença entre os juros e o pagamento mínimo. Ou seja, a próxima fatura teria um valor apenas R$61,82 menor que a atual. Enfim, se a pessoa pagar só o mínimo... pagará e pagará e pagará e nunca acabará... e no dia que morrer, para a família a dívida deixará.

Veja que o total da fatura deu R$ 2.739,48. A custo mensal de juros desse cartão é de 14,49% ao mês, fora outros encargos que podem incidir sobre a dívida, ou seja o juro efetivo ao mês é maior do que isso. Mas você já deve ter visto propagandas na TV e no rádio dizendo que os cartões do BB, ITAÚ, CAIXA etc. baixaram sua taxa de juros. Não caia nessa! Alguns até baixaram, mas porque gastam dinheiro com publicidade para dizer a todo mundo? Para que os desavisados se endividem cada vez mais. Como você agora é avisado, não cairá mais nessa.

Mesmo com os juros mais baixos (não é o caso do exemplo acima) o custo anual de um cartão de crédito é bem superior ao do cheque especial. Não quero que você entre no cheque especial, mas em alguns casos entrar no cheque especial para saldar o cartão pode ser menos prejudicial ao seu bolso que rolar a dívida do cartão. Observe que o custo anual do cartão acima é 453,46%!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Será que você tem a verdadeira noção do que isso significa?

453,46% de juros ao ano faz, por exemplo, com que uma pessoa que deve R$1.000,00 ao cartão e rola a dívida há um ano (sem fazer absolutamente nenhuma nova compra) tenha que pagar R$1.000,00 + R$4.534,60 (de juros) = R$5.534,60 – como diria Boris Casoy “isto é uma vergonha!”

Já pensou você pedir 10 reais emprestado ao seu irmão e ele dizer: “tudo bem, pega aí. Mas daqui a doze meses você vai me pagar 55 reais e 35 centavos”. Aposto que você não faria esse empréstimo, ou arranjaria outro irmão. Bem, acho que é mais fácil simplesmente não fazer o empréstimo.

Você deve está apavorado, ou será que ainda não consegui fazer isso? A poupança, com sorte, renderá 6% no ano de 2012 (devido à queda da SELIC). 6%!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Uma mixaria. Entenda que o cartão de crédito é muitíssimo esperto, pois ele sabe iludir a todos nós, pessoas de bem, que de juros não entendem muito bem. Assim, ele consegue ganhar de um devedor centenas de vezes mais do que a aplicação mais rentável que você possa conhecer no mundo financeiro!

Então, seu Daniel autor desse belo blog, o que devo fazer?

Algumas dicas práticas para evitar o endividamento no cartão de crédito:

1. Prefira cartões sem anuidade (tenho 3 e pago zero anuidade sem ser milionário, para isso converse com seu banco).

2. Evite compras parceladas (mesmo as “sem juros”), pois elas são uma larga porta de entrada para o endividamento.

3. Limite o número de cartões de crédito (tenho três com anuidade zero, mas só uso um), o excesso deles é também uma larga porta de entrada para o endividamento.

4. Não se impressione com os programas de pontos, pois eles existem para estimular o consumo e consequentemente o endividamento (os administradores também estudaram a Psicologia Comportamental de Skinner na disciplina de Psicologia!).

5. Só compre o que puder efetivamente pagar. Jamais compre algo com um “dinheiro que você vai ter, mas ainda não tem”, pois imprevistos podem ocorrer, como uma doença, você perder o emprego, ou o seu cliente não lhe pagar.  Não comprometa seu salário que ainda não saiu com a fatura do cartão a ser paga no próximo mês.

6. Abra uma poupança que será zerada todo mês na data do pagamento do cartão. Conforme for fazendo compras, sempre transfira o equivalente a elas para essa poupança. No dia do pagamento é só resgatar a poupança integralmente e pagar o cartão sem sufoco.

7. Estipule um limite seu (não o do cartão) para a utilização dele. Suponhamos que o limite seja do cartão seja 4.000 reais, estipule gastar no máximo até 1.000 reais, e quando chegar nesse valor ou próximo dele, simplesmente tire-o da sua carteira e deixe-o bem guardado no fundo do guarda-roupas até o próximo mês!

8. Se você não costuma controlar as despesas no cartão, destrua-o e cancele-o imediatamente (sem cair na conversa do teleatendimento) ou retire-o da carteira e passe a usá-lo em compras muito específicas, como a compra de uma geladeira paga à prestação.

Acredito que essas dicas são muito úteis. Não as tirei de canto nenhum, pois eu mesmo as pratico. Para finalizar, quero que você saiba que pesquisas já mostraram que os usuários de cartões de crédito tendem a gastar 30% a mais do que o que ganham, sendo os maiores endividados adultos jovens, e claro, nunca se esqueça que as taxas de juros praticadas por eles são seguramente as mais altas do mercado.

Espero ter acrescentado à sua vida financeira.

Até o próximo post e bons investimentos!
Daniel

domingo, 2 de setembro de 2012

TORNANDO-SE UM GRANDE INVESTIDOR EM AÇÕES - Parte 3




Hoje a previsão do tempo prometeu sol, mas está nublado... a vida parece repleta de incertezas e se você parar para pensar, na verdade, muitas das decisões que tomamos no dia a dia são baseadas em intuições ou pressentimentos. Embora busque sempre tomar decisões da forma mais racional possível, no final das contas geralmente ocorre aquele sentimento do tipo isso vai dar certo ou acho que estou fazendo a coisa errada... Não posso ignorar esse lado misterioso da vida e das decisões tomadas por nós, reles mortais, por outro lado entendo que basear-se somente nos sentimentos pode levar alguém a tomar as decisões menos acertadas na vida. Diante desse fato, deixemos agora o subjetivismo e passemos ao que pode ser objetivo.

Este post é o terceiro de uma série que tenta reunir as características típicas de um grande investidor, baseando-se principalmente nas ideias de Warren Buffet, expressas no livro O Tao de Warren Buffet (como aplicar a sabedoria e os princípios de investimento do gênio das finanças em sua vida).

Até aqui vimos que um grande investidor deve: ser bom vendedor; ter poder de decisão; ter humildade; ter estudo; ter um método de análise das ações, dispor de tempo (ainda que não muito).
Hoje completaremos a lista falando sobre como Escolher Boas Ações, Observar o Mercado, e ter Paciência.

ESCOLHER BOAS AÇÕES

Penso que primeiramente é necessário entender o que pode ser uma boa ação na bolsa de valores. Alexander Elder afirma, em seu livro Trading for a living, que o preço de uma ação tem muito pouco a ver com a empresa que ela representa. Em outras palavras, o importante seria analisar as ações em si e seu desempenho no mercado nos últimos dias, semanas, meses ou anos.

Tenho que concordar com Elder em alguma medida e não é difícil de entender a sua forma de pensar, afinal, ele utiliza eminentemente a análise técnica (gráfica). Assim, para ele pouco importa se a ação é de uma empresa que refina petróleo, fabrica sandálias, bicicletas ou administra rodovias... importa somente o estudo dos gráficos e dos volumes de negócios das ações em questão, para descobrir se vale a pena comprá-las naquele momento.
Por outro lado, temos a compreensão de Warren Buffett que, como um bom investidor de longo prazo, prefere analisar os fundamentos da empresa antes de adquirir as ações dela. Assim, Buffett diz que “se uma empresa vai bem, a ação acabará subindo”¹. No pensamento dele o que importa, na verdade, são evidências de que ela gera lucros no momento e tem boas perspectivas de continuar assim nos próximos anos. Encontrando-se uma empresa nessas condições, pode-se, então, partir para a compra das ações.

Se pensarmos mais a fundo sobre esta questão, perceberemos que tanto Elder quanto Buffett têm razão. A escolha de boas ações dependerá do tipo de método de análise que você tiver escolhido para nortear as suas decisões. Você poderia até sugerir: que tal usar a análise dos gráficos das ações, dando preferência a negociar ações de empresas sólidas e que sejam muito negociadas na bolsa. Ótimo, seria uma boa pedida, neste caso o risco seria reduzido, mas, por outro lado, você poderia não lucrar tanto como alguns investidores de ações de 2ª e 3ª linha (aquelas de empresas menores, que muitas vezes você nunca ouviu falar), que podem proporcionar ganhos de mais de 200% ou 300% em um ano. Como foi o caso da ação MNDL4 (atual MNDL3, da Mundial) que no ano passado subiu mais de 3000% e em poucas semanas despencou ao seu nível normal de preço (fato conhecido como a Bolha do Alicate).

Certamente, em um movimento brusco como este, muitos traders devem ter realizado ganhos invejáveis. Eu fui um dos que apostei num bate e volta depois da grande queda e lucrei 34% comprando ações MNDL4 no final do pregão de uma sexta e vendendo-as na manhã da terça-feira.

Portanto, independentemente de buscar por ações para investir no longo prazo ou investimentos rápidos e puramente especulativos (trades), busque pelos sinais dentro do método de análise por você escolhido que indiquem as “boas ações” a serem negociadas. 

É válido lembrar, no entanto, que se você der preferência a ações de empresas sólidas, bem administradas, que gerem lucro e que sejam muito negociadas (líquidas), os riscos envolvidos na operação deverão ser reduzidos, mas não deixaram de existir. Eu, por exemplo, mantenho Vale e Petrobrás em minha carteira esperando que se recuperem para poder vendê-las, que são as rainhas da liquidez na bolsa, muito sólidas mas, como qualquer papel (ação) da bolsa, estão sujeitas ao humor do mercado.

OBSERVAR O MERCADO

O bom agricultor observa o tempo, o céu, as plantas, as aves, os insetos e acontecimentos passados (recentes ou remotos) para saber se valerá a pena o esforço do plantio no campo naquela temporada.

Pois bem, com o investidor em ações deve ocorrer algo semelhante. Ele deve ser capaz de, através da sua observação, detectar as mudanças de tendências do mercado e momentos de crise, ver a aceitação do produto da empresa, estudar os gráficos das ações nos últimos 5 anos, para decidir o que fazer em relação a uma ação.

Buffett alerta, “veja as flutuações do mercado de ações como suas aliadas, não como suas inimigas – lucre com a insensatez ao invés de participar dela”¹, ou seja, ele diz para comprarmos exatamente quando todos estão vendendo, pois aí os preços estarão descontados (como numa liquidação), então é só comprar e aguardar (mas, cuidado, pode ser que demore bastante a subir novamente).

Buffett ressalta que “grandes oportunidades de investimentos surgem quando empresas excelentes estão cercadas de circunstâncias incomuns que fazem suas ações serem mal avaliadas”¹. Para isso ficar mais claro, é só pensar em ações como a ELPL4 (Eletropaulo) e VALE5 (Vale), que estão com preços bastante convidativos e que, certamente, recuperarão suas cotações num futuro não tão distante. Se você acha que soei impreciso quando disse “não tão distante”, é por ser (praticamente) impossível prever (com precisão) o futuro da cotação de uma ação na bolsa, embora muitos se arrisquem no terreno da vidência.

PACIÊNCIA

Esse quesito é simplesmente essencial, em minha opinião, para que uma pessoa tenha sucesso como investidor na bolsa de valores.  Alexander Elder afirma que “a paciência é uma virtude para um trader”² (tradução nossa). Vou demonstrar com um exemplo real, a importância desta virtude.

“Por maior que seja o talento ou esforço, algumas coisas exigem tempo: não dá para produzir um bebê em um mês engravidando nove mulheres”¹, diz Buffett. Se para produzir um bebê leva-se 9 meses, o período deverá ser cumprido para que a criança nasça saudável. Porém, existem fatores incontroláveis durante uma gravidez que podem levar a um nascimento prematuro. Imagine agora uma mãe tão ansiosa que queira que o filho nasça aos 4 meses! Ou que acredite estar passando por tantos desconfortos que queira interromper a gravidez! Naturalmente que isso não deve ocorrer, mas pode ser explicado em casos de riscos extremos ou situações de doença mental.

Na vida real um nascimento prematuro pode trazer consequências irreversíveis para a criança. Agora, pensemos que as intercorrências durante uma gravidez possam ser entendidas como as emoções do investidor (ansiedade, impaciência, tristeza, euforia...), que muitas vezes são incontroláveis. Mas aí é que está o segredo, se o investidor não souber exercitar a paciência cuidando bem da operação, poderá acabar sem o filho (os lucros) que só virá mediante a paciência com a gravidez (controlando os desconfortos) e perícia para detectar os primeiros sinais de que o parto se aproxima, aumentando as possibilidades de um parto bem sucedido.

Exemplo de Paciência
Suponhamos que você esteja estudando e acompanhando a ação PETR4 nas últimas semanas e ela venha variando pouco, mantendo certa cotação média. A ação cai uns 3% num só dia sem nenhuma explicação clara para tal, você acha que é um bom ponto de entrada para a compra, daí você emite a ordem de compra de 100 ações a 25,70. Como a ação é de uma empresa sólida, que dá lucro e que estava mantendo uma cotação maior que a atual (do dia da compra), você pensa que inevitavelmente ela irá se recuperar logo. O problema é que, para a sua surpresa, isso não ocorre e ela entra numa tendência de baixa por meses a fio até chegar a mais ou menos 18 reais. Isso soa familiar?

Hoje a cotação da PETR4 está em mais ou menos 21 reais e, aparentemente, numa tendência de alta, mas foi preciso bater no fundo do poço a uns 18,00, para ensaiar o movimento de retorno à sua cotação (real, se é que isso existe). Veja bem. Eu comprei Petrobrás exatamente nessa situação, vi-a despencar e me segurei para não realizar o prejuízo. Se tivesse vendido no auge do desespero, assim como muitos, eu seria apenas mais um “quebrando a cara”, ou a conta. A cotação lentamente está reagindo e realmente acredito que ela voltará a subir. A questão aqui é a paciência necessária para não perder dinheiro na operação (ou no trade, como alguns preferem). Segurei a ação, pois tinha em mente que ela comporia uma carteira para o longo prazo e eu não me deixaria abalar com a volatilidade do mercado.

O exercício da paciência possibilitará que você não venda com prejuízo. Evitará também que você venda prematuramente uma ação que iniciou uma tendência de alta, e assim, você lucrará mais. Acredito que a aquisição da paciência se dê por puro exercício, assim como a boa capacidade de observar o mercado e tomar atitudes mais acertadas. A prática aliada ao estudo deverão apontar os caminhos a seguir.

Para concluir este (longo) post, cito a lista completa de virtudes a serem perseguidas pelo investidor:
1
  1. ser bom vendedor (vender mais caro do que comprou);
  2. ter poder de decisão (evitar erros sem ter medo de errar);
  3. ter humildade (saber que por mais que você saiba, o mercado é dinâmico);
  4. ter estudo (dispor da teoria para compreender melhor a prática);
  5. ter um método de análise das ações (partir de premissas objetivas);
  6. dispor de tempo (ter disciplina com o seu tempo. Tempo é dinheiro!);
  7. escolher boas ações (comprar empresas sólidas, só negociar ações de 2ª e 3ª linha quando for mais experiente);
  8. observar o Mercado (analisar a conjuntura do momento e definir sua estratégia);
  9. ter paciência (saber aguardar para comprar bem e vender bem).

A lista de virtudes aqui exposta não é absoluta e nem definitiva, mas acredito que poderá servir de ponto de partida ou inspiração para muitos investidores iniciantes. É certo que todo investidor fraquejará em alguma(s) dessas áreas durante sua caminhada rumo ao sucesso nos investimentos, mas se buscar estes princípios em sua caminhada, estará cada vez mais próximo de seu alvo final.

That’s all folks!

Um abraço e ótimos investimentos a todos.
Daniel

Fico aberto a comentários e dúvidas.

Referências e Notas:



1. BUFFETT, M.; CLARK, D. O tao de Warren Buffett. Rio de Janeiro: Sextante, 2007. (p. 40, 144, 145, 148).
2. ELDER, Alexander. Trading for a living: psychology, trading tactics, money management. New York: John Wiley & Sons, 1993. (p. 84)



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